DESCONSTRUÇÃO E CONSTRUÇÃO: ANÁLISE DE “A CIDADE AUSENTE”, DE RICARDO PIGLIA
CHAVES, Lucileine Avellaneda (UEL – G)
Ricardo Piglia é um dos mais prestigiados narradores
argentinos dos últimos tempos. Seguindo os passos de Jorge Luis Borges, faz de
seu texto um debate entre o narrar, o fazer literário e a crítica literária,
numa construção narrativa envolvente.
Ricardo Emilio Piglia Renzi nasceu em Adrogué, em 1941.
Quando nasceu seu irmão Carlos, seu pai, já peronista, mandou-o estudar em um
colégio de curas, o que foi uma experiência de ascensão e uma revolução
sócio-cultural.
A relação com a literatura foi estimulada por seu pai quem,
não só começou a citar-lhe de memória, mas também a ler o Martín Fierro.
Em parte graças ao pai passou das historietas aos livros. Também foi seu pai
quem o tirou do colégio de curas, quando Perón voltou-se contra a Igreja. Alí
se ampliou o seu espectro de amigos e leituras.
Em 1955, mudou-se para Mar del Plata e rapidamente fez um
novo grupo de amigos, conheceu Steve Ratliff, que emprestou-lhe livros de
Faulkner, de Ford Madox Ford, Robert Lowell ampliando sua gama de conhecimentos
literários. Foi ele quem leu primeiro seus escritos até morrer de cirrose.
Nessa época começou a escrever seu “diário” que pensa em publicar como obra
póstuma.
Para Piglia a literatura trabalha a política como
conspiração, como guerra; a política como grande máquina paranóica e ficcional.
Na história argentina, a política e a ficção se entrevêem e se perdem
mutuamente, são dois universos irreconciliáveis e simétricos. E a partir das
relações entre ficção e política é que Ricardo Piglia desenvolveu algumas
hipóteses sobre o romance argentino.
A Cidade Ausente
(ACA) trata de contos gerados por uma máquina inventada para substituir uma
mulher amada e morta. A maquina é uma metáfora da própria escrita, do próprio
ato do escritor que conta aquilo que já foi dito, numa repetição disfarçada de
novidade.
O que temos é uma máquina
metaliterária. Essa prática é comprovada ao “testar” a máquina com um conto de
Edgar Alan Poe, “William Winston”, e “dali a três horas começaram a sair as
fitas de teletipo com a versão final”, um relato intitulado Stephen
Stevensen. “Foi a história inicial. Para além de suas imperfeições era uma
síntese do que viria depois”. (ACA, p.35)
O romance de Piglia desenvolve
uma teoria sobre o ato de narrar, uma metalinguagem para decifrar o ato de
narrar, do fazer literário e como o leitor se comporta nesse meio tumultuoso,
que lê coisas feitas a partir de outras. A máquina que está no museu fala de
cenas de outros livros.
“O segredo,
disse Macedônio, é que ela aprende à medida que vai narrando. Aprender quer
dizer que ela lembra o que já fez e tem cada vez mais experiência. Não irá
necessariamente fazer historias cada vez mais belas, mas vai saber as historias
que já fez e talvez acabe por construir-lhes uma trama comum”.(ACA, p.36)
E não somente isso; vemos em seu texto o que pensa
sobre literatura e a própria crítica literária que faz, desenvolvida a partir
de três tendências que estão presentes em seu livro: estratégia pós-moderna,
poética da negatividade e a incorporação de material não ficcional.
A estratégia pós-moderna seria a
atenuação dos limites entre as culturas eruditas e de massas. O romance
pós-moderno apropria-se dos elementos presentes nesse repertório (fluência e
rapidez de estilo, suspense, identificação dramática, corte e montagem)
recicla-os (destrói e reconstrói) para compor os eixos do romance contemporâneo
saturando-se num mosaico de citações que são reconstruídas.
“O enredo
eras um modelo único do mundo e as frases se transformavam em um modulações de
uma experiência possível. O relato era simples”. (ACA, p.47)
Sua opinião é
que se “escreve o mesmo com outras palavras e o censo traduz” (Piglia,
p. 60-1). É uma luta contra a massificação da cultura e sua perda para a mídia.
Essa “perda” é manipulada pela política, pela polícia (a máquina do Estado),
pois o “talento verbal é uma condição e um instrumento do poder político”
(Piglia, p.90); e as transmissões, os relatos da máquina são uma ameaça ao
“establishment”. O autor considera que a realidade é inútil e que está
manipulada pela polícia.
Ricardo Piglia declara-se marxista e contra a ordem
democrática de imperialismo econômico imposto pelos países ricos. Estes têm
influência negativa sobre a literatura porque a submetem à mesma lei de mercado
como qualquer outro tipo de produto. Os escritores sofrem muito com isso, pois
a escrita é vista como o princípio de rebeldia a minar “os privilégios e o
espírito dos poderosos” (Piglia:1994,p.63). Numa passagem irônica do livro,
o autor destila seu inconformismo e sua crítica perante a máquina do Estado e o
“status quo”:
“- O poder
político é sempre criminoso – [...]. o Presidente é um louco, seus ministros
são todos psicopatas. O Estado argentino é telepata, seus serviços de
inteligência captam a mente alheia. Eles se infiltram no pensamento das bases.
Mas a faculdade telepática acarreta um grave inconveniente. Não consegue
selecionar, capta qualquer informação, é extremamente sensível aos pensamentos
marginais das pessoas, [...]. Face ao excesso de dados, ampliam o raio de
repressão. A máquina conseguiu infiltrar-se nas suas redes, já não diferenciam
a historia verídica das versões falsas. Há certa relação entre a faculdade
telepática e a televisão – disse de repente –, o olho tecno-míope da câmera
grava e transmite os pensamentos reprimidos e hostis das massas transformados
em imagens. Assistir televisão é ler o pensamento de milhões de pessoas”. (ACA, p.52)
A poética da negatividade vem
como uma recusa às convenções da cultura de massas, a negação da manipulação da
indústria cultural e o desmonte dos mitos de comunicação lingüística que
fundamentam essa indústria. A poética da negatividade pode ser vista como uma crítica
das concepções instrumentais e pragmáticas de linguagem, “a nação é um
conceito lingüístico” (ACA, p.101) e uma tentativa de levar a linguagem aos
seus limites mais extremos, limites que podem incluir a total impossibilidade
da própria linguagem.No final só sobraria, então, o silêncio.
“Grandes
poetas deixam de sê-lo e se transformam em nada e em vida vêem surgir outros
clássicos (que também são esquecidos)”. Todas as obras-primas duram o que dura
a língua em que foram escritas. Só o silêncio persiste, claro como a água,
sempre igual a si mesmo. (ACA, p.101)
A
poesia pode ser uma série de efeitos impessoais gerando as traduções que são
diferentes da primeira versão na língua original, pois se perde o sentido
original que o artista quis imprimir a sua obra. Diferentemente, o romance,
gênero popular, que na opinião de Piglia, já nasceu para ser traduzido, podendo
assim ser lido por todo mundo, resiste a mudança de língua. “A literatura
constrói a historia de um mundo perdido”. (Piglia: 1994, p.93)
Ricardo Piglia vê a necessidade de narrar fatos reais
num período em que a falsificação é dominante. Aqui temos a terceira tendência
que é a incorporação de material não ficcional para renovar a literatura
adotando o romance reportagem, o jornalismo narrativo, o romance policial. A
narração como reconstrução e dedução, que constrói a trama sobre o real. Ele se
insere numa tradição da literatura argentina que diz que para se fazer política
com a literatura não tem que se fazer ficção, precisa-se “rasurar” a ficção,
recorrendo a formas populares. Narrar e fazer política são dois métodos de
adivinhar ou fabricar o futuro e a tentativa de não repetir ou citar o passado.
Ele vê que a especificidade da ficção é sua relação especifica com a verdade.
Interessa-lhe trabalhar nessa zona indeterminada em que se cruzam a ficção e a
verdade, antes de mais nada, porque não há um campo próprio da ficção. Crê que
tudo pode ser ficcionalizado. A ficção trabalha com a crença e neste sentido
leva à ideologia, aos modelos convencionais de realidade e, naturalmente,
também às convenções que tornam verdadeiro (ou fictício) um texto. A realidade,
então, é tecida de ficções. Piglia diz que a Argentina atual é um bom lugar
para se ver até que ponto o discurso do poder freqüentemente adquire a forma de
uma ficção criminal, e onde, na sua opinião “o discurso militar teve a
pretensão de ficcionalizar o real para apagar a opressão”. (Piglia: 1994,
p.69)
“A guerra
chega ao fim e só ficamos perante a imensidão dos obscuros planos dos EUA, que
querem ferir e anular a Espanha para fazer fácil presa da América hispânica”. (ACA, p.50)
Ricardo Piglia chama para seu livro um debate entre
três outros grandes escritores argentinos: Robert Arlt, Jorge Luis Borges e
Macedonio Fernández, como estes percebem a tradição literária e, como, refletem
sobre as obras clássicas modernas como a de Joyce. Ele, Piglia, diz que a escrita de ficção se instala sempre
no futuro, trabalha com o que ainda não é. Constrói o novo com os restos do
presente, sendo que a literatura é uma
festa e um laboratório do possível. Os romances de Arlt, Fernández são máquinas
utópicas, negativas e cruéis que trabalham a esperança, na opinião de Piglia.
Retoma a concepção de Borges de que a verdade nasce
com a linguagem e é uma construção humana, cria personagens que habitam em um
universo ficcional em que limites de tempo, espaço e individualidade são
imprecisos. Ele defende a tese de Borges que fala que as literaturas menores
têm a possibilidade de dar às tradições literárias um tratamento irreverente. O
autor percebe que à literatura menor cabem os mecanismos de falsificação, a
tentação, do roubo, a tradução como plágio, a mescla, a combinação de
registros. A falsificação, sendo a desconstrução e a construção do texto
literário, é a tradição de Ricardo Piglia.
“A linguagem
é [...] uma espécie de organismo vivo que sofre metamorfoses periódicas. [...].
Dizem o que querem e tornam a dizer a mesma coisa, mas nem por sonho imaginam
que ao longo dos anos foram usando perto de sete línguas para rir da mesma
piada”. (ACA, p.99)
“A língua é
como ela é, porque acumula os resíduos do passado em cada geração e renova a
lembrança de todas as línguas mortas e de todas as línguas perdidas e aquele
que recebe esse herança [...]”. (ACA, p.100)
O escritor está, como percebe
Piglia, em busca de uma identidade dramática, uma escrita diferencial. Cada
escritor tem que inventar uma língua dentro da língua, criar o seu estilo, a
sua marca pessoal que faz com que seja reconhecido pela sua linguagem. Os
paradigmas mudam e não se pode lapidar uma forma certa. Assim, o pensamento
para ser crítico e não cair nas repetições pragmáticas tem que ser algo novo
expresso pela linguagem. Há que se criar uma nova sintaxe, uma nova maneira de
contar. Desse modo, Piglia em seu texto “conversa” com os citados escritores em
busca desse ideal lingüístico. Em A
Cidade Ausente temos ressonando
Macedonio Fernández e sua máquina. Se em Museo
de la novela de la eterna temos a anunciação do romance do futuro, a ficção
do porvir, Macedonio define uma nova enunciação e constrói o romance argentino
que virá, como declara o próprio Pilgia. O romance do porvir é A Cidade Ausente.
Em um depoimento a Clara Funes,
Piglia diz que sonhou com O fantasma da máquina (sempre ela!), de Gilbert
Ryle que tem
como mecanismo básico a noção de vida dupla. “‘Todos’, diz Ryle, ‘vivemos
duas vidas. Uma real, regida pelas leis causais, e outra possível,
fragmentária, na qual retificamos o que vivemos. Podemos imaginar uma máquina
lógica que registra as modificações e nos ajuda a lembrar’. No sonho pensava em
como é ridícula a pretensão de aprender da experiência; via o fantasma da
máquina como uma versão pessoal de Frankestein: refazer-se, transformar-se em
outro com os restos de si mesmo.” (Piglia:1994, p.59-60)
Em A Cidade Ausente, a máquina de Macedônio
metaforiza a possibilidade de criar novas histórias, o embaralhamento de velhos
relatos, os plágios. Ricardo Piglia, despersonaliza o duelo criação x cópia.
Dentro do universo que representa a modernidade perversa, paranóide, impessoal
e falsificadora captada pelos romances de Arlt, vem que o relato inaugural da
máquina de Macedonio seja a história do duplo irredutível do nome “William
Wilson”, que serve de paradigma para a presença incomoda do duplo, do lado
escuro e residual de seu imaginário.
Ricardo Piglia acredita que na civilização a ficção
aparece como antagônica a um uso político da linguagem. A eficácia está ligada
à verdade, nos seus dizeres, com todas as marcas: responsabilidade, seriedade,
a moral dos fatos, o peso do real. A ficção se associa ao ócio, à dissipação
dos sentidos, ao que se pode ensinar. A ficção aparece como uma prática
antipolítica.
Nos textos de Arlt, Borges e de Piglia se abre uma
maneira diferente entre ver as relações entre política e literatura. Não se
trata de ver a presença da realidade na ficção, mas de ver a presença da ficção
na realidade. Que é a utopia de Macedonio realizada nesses autores. Se a ficção
argentina é a voz de Macedonio Fernandez; Robert Arlt fala do que está por vir.
Em Borges, fala da originalidade que não existe, a forma pela qual as histórias
são recontadas, desfeitas e reconstruídas. Por isso, a atividade da máquina de
Piglia, e de Macedonio, é um simulacro da atividade do escritor.
Piglia não acredita que
existam escritores sem teoria: em todo o caso a ingenuidade, a espontaneidade,
o antiintelectualismo são uma teoria, aliás, bastante complexa. Por exemplo, em
Macedonio a teoria do romance faz parte da teoria do estado, foram elaboradas simultaneamente,
são intercambiáveis. “A especificidade
da ficção é sua relação especifica com a verdade. Interessa-lhe trabalhar nessa
zona indeterminada em que se cruzam a ficção e a verdade. Antes de mais nada,
porque não há um campo próprio da ficção. De fato, tudo pode ser
ficcionalizado. A ficção trabalha com a crença e neste sentido leva à
ideologia, aos modelos convencionais de realidade e, naturalmente, também às
convenções que tornam verdadeiro (ou fictício) um texto. A realidade é tecida
de ficções”. (Piglia: 1994, p.68)
Pode-se fazer uma alusão ao
relato intitulado A menina e uma
história sobre Joyce que dizia que ele nunca admitiu que sua filha Lucia era
psicótica. Ele adaptava-se às manias da garota e tentava entendê-la e a seguia
durante horas em estranhas conversas nas quais pareciam usar uma língua
desconhecida. Animava-a a desenhar e a escrever. Mas não podia suportar que
Lucia não o reconhecesse e que o insultasse e o chamasse de Mister Shit.
Por isso pediu uma entrevista a Carl Jung, que admirava sua obra e que
escrevera um artigo elogiando o Ulisses. Joyce, que nesse momento
escrevia Finnegan’s Wake, mostrou-lhe vários textos de Lucia. “Ela usa a
linguagem como eu”, disse. “Sim”, respondeu-lhe Jung, “mas ali onde você nada,
ela se afoga”. (Piglia: 1994, p.62)
Neste relato A
menina, ela chama-se Laura, ao invés de Lucia, e vai perdendo a capacidade
de falar normalmente adotando uma linguagem funcional até reduzi-la a sons
emitido ao invés de palavras. Seu pai passa então a contar a mesma historia de
formas variadas para que as frases fizessem sentido para sua filha, já que “a
menina carecia de sintaxe”. (ACA, p.46). O relato A menina apresenta uma
estrutura circular da história, o que faz com que Laura expanda o seu
vocabulário e volte a falar com o pai.
“...a menina vivia num vazio emocional extremo. Por
isso, a linguagem de Laura ia aos poucos se tornando abstrata e
despersonalizada. [...] Longe de não saber usar corretamente as palavras,
via-se ali uma decisão espontânea de criar uma linguagem funcional à sua
experiência de mundo”. (ACA, p. 45)
Mais do que o uso do material
não ficcional, transformado, renovado desconstruído e construído, encontra-se
uma referência direta ao livro Finnegan’s Wake de Joyce que é a “bíblia
sagrada” dos habitantes da “Ilha do Tigre” de A Cidade Ausente.
Finnegan’s Wake, de James Joyce é
considerado ilegível por utilizar uma estrutura circular e onírica construída
com palavras inventadas e oriundas de mais de 60 idiomas diferentes. Os exertos
iniciais foram execrados por seus amigos, em especial Ezra Pound e Harriet Weaver. Joyce
conduz uma experiência lingüística ao ponto limítrofe, ao escrever com uma
língua composta, baseada em combinações de parte de palavras de várias línguas,
atingindo o ápice de suas pesquisas lingüísticas. Para alguns intraduzíveis em
outras línguas, para outros, portador de
uma linguagem própria devido a sua radicalidade.
A “Ilha do Tigre” é o modelo de
uma metrópole povoada por pessoas de todas as nacionalidades onde todas as
línguas se misturam e a única fonte de informação é o Finnegan’s Wake, que pode ser lido por
qualquer um independente de sua língua. A linguagem na ilha passa por
transformações dependendo de ciclos descontínuos e instáveis, que era o que
definia a vida na ilha. Esse é o retrato fantasmático da polis lingüística
joyceana em que as línguas não duram mais do que poucos dias, e o Finnegan’s
Wake é o único livro que sobrevive em todos os idiomas, legível e
transparente como uma escritura sagrada porque reproduz as permutações da
linguagem em escala mínima. Tudo na ilha se define com o caráter instável da
linguagem. Tem-se eliminada, da ilha, a tradução porque dissolve o parentesco
entre as línguas que são a base da traducibilidade. Alude às tentativas de
Sarmiento de reformar a linguagem que o levou ao limite da ilusão de um uso
particular da linguagem. Como Joyce, Piglia também tem interesse pela
construção da linguagem e a forma abstrata que alguns usam para descrever o
mundo tal como pensam e não como vêem.
No relato A ilha temos exposta a relação entre
linguagem e memória. Ricardo Piglia tece uma teoria poética acerca da linguagem
e das idéias fora das línguas. A linguagem é o fluxo e o refluxo de uma vida.
“A língua é como ela é, porque acumula os resíduos do
passado em cada geração e renova a lembrança de todas as línguas mortas e de
todas as línguas perdidas”. (ACA,
p.100)
E
isso temos refletido em Eco quando diz que
“A utopia de
uma língua perfeita não tem obcecado somente a cultura européia. O tema da confusão
das línguas, e a tentativa de remediá-la mediante a recuperação ou a invenção
de uma língua comum a todo o gênero humano, aparece na historia de todas as
culturas”. (Eco: 1994, p.8)
O romance de Piglia mais do que
debater sobre o ato de narrar, debate sobre o deciframento desse ato, num
constante questionamento da interpretação que tenta explicar a forma e reduzir
o conteúdo. Seus traços definidores de estilo concentram a ambição de escrever
sobre todos os estilos, unidos em um, como uma composição polifônica que
incorpora vários discursos, misturando história, biografia, ensaio, ficção,
simulando ironia e um registro erudito sob a condição de que se pareçam com
invenções. A ficção, assim, trabalha com a verdade para construir um discurso
que não é verdadeiro nem falso, ao compor sua obra e incorporar elementos autênticos
e imaginários. Através disso, ele apreende o mundo, com o acento pessoal,
fugindo às convenções formais, utilizando-se das estratégias pós-modernas, que
poderiam empobrecer a literatura, mas que a enriquecem e dão o tom
inconfundível de sua plasticidade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AVELAR, Idelber. Alegorías
de lo apócrifo: Ricardo Piglia, duelo y
traducción. http://www.tulane.edu/~avelar/piglia.html
_______ . João
Gilberto Noll e o fim da viagem. http://www.tulane.edu/~avelar/noll.html
CARREIRA, Shirley. S. G. A cidade ausente: uma análise do discurso de
Ricardo Piglia. http://www.hispanista.com.br/revista/artigo50esp.htm
ECO, Umberto. La búsqueda
de la lengua perfecta. Grijalbo Mondadori,
S.A, Barcelona, 1994.
PIGLIA, Ricardo. O laboratório do escritor. Editora Iluminuras Ltda, SP, 1994.
PIGLIA,
Ricardo. A cidade ausente. Editora Iluminuras, 2ª ed., SP, 1997.
http://www.ilustrados.com/mgrfias/ricardopiglia.html
http://old.clarin.com/diario/especiales/Piglia.html