Leitura crítica dos jornais e a produção de textos

 

 

OLIVEIRA,  Neluana Leuz 

RUIZ,  Priscila  Juliana 

 

 

Introdução

 

 

Quando nós, professores, pensamos no tema “leitura na escola”, consequentemente,  associamos o assunto à idéia de algo negativo, visto que conhecemos e diagnosticamos na prática diária a falta de interesse dos alunos e de colegas de trabalho que  preferem apenas ressaltar: “meus alunos não sabem ler, não adianta”; ao invés de buscar meios inovadores e dinâmicos capazes de mudar este triste quadro que o Brasil enfrenta atualmente.

Por outro lado, quando restringimos este  diagnóstico a séries iniciais constatamos que as crianças apresentam uma enorme  vontade de aprender a ler e escrever. Mas o que acontece, então? Por que nos deparamos, frequentemente, com alunos de séries mais avançadas sem motivação alguma para ler? Uma possível resposta seria o distanciamento das leituras (im) postas aos alunos. Leituras afastadas das situações reais e atuais que os circunscrevem e que não permitem aos estudantes um crescimento significativo.

Se, como professores das séries iniciais, soubermos aproveitar toda a “vontade de aprender a ler” de nossos alunos, logo que iniciam sua caminhada intelectual, provavelmente, não “mataremos” esta motivação natural, estaremos, dessa forma,  contribuindo para a formação de leitores assíduos.

A presente proposta de trabalho acredita num ensino capaz de produzir cidadãos críticos e atuantes na vida em sociedade, e destaca a  importância de um trabalho voltado para a leitura  e compreensão do texto jornalístico. O que nos propomos a fazer é aproximar o aluno do jornal. Para isso, exploramos os diversos textos, pertencentes aos diferentes gêneros, encontrados no veículo em pauta.

É objetivo do trabalho em tela aproximar os alunos de  primeira série do ensino fundamental ao mundo de acontecimentos retratados pelo jornal da região. Este trabalho (já em andamento) visa transformar o jornal no principal veículo de leitura e, através deste, propiciar meios para que os alunos criem e recriem os diversos cadernos presentes no jornal Tribuna do Norte – que circula na cidade de Apucarana e todo Vale do Ivaí –,  bem como explorar e produzir os diferentes gêneros que o mesmo apresenta.

Partindo do pressuposto de que a educação deve visar ao desenvolvimento da cidadania – como pregam os PCNs (BRASIL, 1997/1998) – o jornal torna-se um suporte para a formação de leitores críticos e conscientes de seu papel na sociedade. Diante dessas asserções, o jornal é objeto de ensino, quinzenalmente, através da leitura e análise dos textos por ele apresentados, bem como das produções  realizadas pelos alunos.

Para efeito de sistematização, esse trabalho estará organizado em tópicos. Nos itens que se seguem, são expostos: a) contextualização do projeto; b) embasamento teórico; c) descrição da experiência; e e) resultados parciais. 

 

 

Contextualização do projeto

 

 

Ressaltamos que o trabalho em pauta faz parte de um projeto maior intitulado “A Leitura do Jornal: do pré à quarta série”. Trata-se de um projeto de extensão, desenvolvido pelo departamento de Letras Vernáculas e Clássicas, da Universidade Estadual  de Londrina, coordenado pela Prof ª Drª Lídia Maria Gonçalves.

A idéia do projeto surgiu há alguns anos,  todavia  só entrou em ação no final do ano letivo de 2005. Tal projeto encadeia projetos menores, os quais têm em comum a abordagem do jornal como material didático. Entretanto, cada sub-projeto apresenta seus objetivos específicos, visto que são desenvolvidos em diferentes séries do ensino fundamental. Dessa forma,  os assuntos e os conteúdos arrolados são determinados pela complexidade permitida a cada uma das séries que integram o corpus do nosso projeto.

 

Embasamento  teórico

 

 

GONÇALVES (2004) lembra que o professor é forçado a informar-se mais para fazer frente à curiosidade mais aguçada dos alunos com o jornal e ressalta que esse veículo de informação requer preparo para com ele trabalhar. Nessa linha, Gonçalves, coordena o Projeto de Extensão Universitária da UEL “Linguagem e Ensino – A leitura do jornal: do pré à quarta série”, o qual conta com a colaboração de OLIVEIRA e RUIZ que desenvolvem projetos específicos nas turmas de alfabetização em que são docentes, com objetivo de promover o letramento no processo de alfabetização da leitura e da escrita, proporcionando a leitura de textos dos gêneros jornalísticos e a produção dos mesmos.

Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) a leitura deve, na escola, constituir-se como um objeto de ensino, todavia um objeto que apresente um real sentido para o aluno, isto é, “a atividade de leitura deve responder, do seu ponto de vista, a objetivos de realização imediata”(p. 54). Pois, somente assim, o professor proporcionará um ensino envolto dos problemas sociais.

Mas, não parece nada fácil, não é? Onde buscarmos suporte teórico e motivação para o trabalho comprometido  com a leitura? Como ser professor nesta época em que dominam um mundo televisivo e computadorizado? Como fazer nossos alunos  sentirem prazer na leitura? Emprestando as palavras de Paulo Freire (1993), nossa tarefa como professores

 

É uma tarefa que requer de quem com ela se compromete um gosto especial de querer bem não só aos alunos mas ao próprio processo que ela implica. É impossível ensinar sem essa coragem de querer bem, sem a valentia dos que insistem mil vezes antes de uma desistência. É impossível ensinar sem a capacidade forjada, inventada, bem cuidada de amar. [...] É preciso ousar, no sentido pleno desta palavra, para falar em amor sem temer ser chamado de piegas, de meloso, de acientífico, senão de anticientífico. É preciso ousar para dizer, cientificamente e não bla-bla-blantemente, que estudamos, aprendemos, ensinamos, conhecemos com o nosso corpo inteiro. (apud. GERALDI, 2005, p.92)

 

Diante da necessidade vital de ensinar, e da vontade de ir além, buscamos comprometimento com um projeto de leitura capaz de ampliar os horizontes de nossos pequenos alunos. Visando corroborar com os pressupostos teóricos sugeridos pelos PCNs    que propõem oferecer aos alunos os textos do mundo, o  trabalho em tela busca realizar atividades significativas de leitura que correspondam aos assuntos do dia-a-dia dos alunos, tendo como suporte o jornal em sala de aula.

O jornal ANJ – Notícias, em outubro de 2002, contém reportagem de Flávia Moura, de Ilhabela, intitulada “Orientação dos educadores é que estimulará a leitura”, na qual postula que “o jornal é o instrumento ideal para trabalhar conteúdos interdisciplinares em sala de aula”. O conteúdo reflete as discussões entre os educadores presentes ao Encontro Nacional de Coordenadores de Programas Jornal na Educação, da ANJ. Durante o evento, professores e coordenadores do programa Jornal na Educação, desenvolvido por 38 jornais associados à ANJ, trocaram experiências e discutiram prioridades e dificuldades para a manutenção dos programas sócio-educativos. Segundo a coordenadora do Sub-Comitê Jornal na Educação, da ANJ, Maria Aparecida Borelli de Almeida, a mera distribuição do jornal em sala de aula não reflete um programa educativo, opinião da qual nós, do Projeto “Linguagem e Ensino”,  compartilhamos.

Para consolidar essa prática, existe uma proposta de lei do deputado Luiz Bittecourt (PMDB-GO), já aprovada pela Câmara, que tornaria obrigatória a leitura de jornais em sala de aula, o que já é uma realidade nas escolas públicas da Argentina. Para nós, o fundamental é que os professores recebessem treinamento especial para utilizar a mídia na educação, pois estudos mostraram que eles não têm tempo e dinheiro para a leitura de jornais e se não são leitores deste suporte, muito menos utilizam-no como recurso didático-pedagógico. Consideramos indevida a postulação de que através de decretos problemas educacionais possam ser resolvidos; o que o professor realiza em sala de aula com seus alunos é capaz de alterar a realidade dos mesmos, transformando-os em leitores e cidadãos.

 Neste sentido, buscamos participar de um projeto universitário para encontrarmos ferramentas para a realização da tarefa de formar leitores. Para Lúcia Maria, mencionada em matéria do jornal “Folha da Região”,  o projeto do mesmo jornal é que as crianças aprendam usando como referência o contexto de sua realidade. “A leitura de jornal faz parte da vida dos alunos. Não é uma leitura isolada, como a das cartilhas”; compara. (FOLHA DA REGIÃO, em 2003). A coordenadora Lúcia Maria afirma se reunir com representantes de cada escola participante para repassar instruções de como usar o jornal na sala de aula com os alunos. E este grupo de estudos ocorrem a cada 40 dias. Segundo declara na matéria jornalística, cada representante transmite as informações para outros professores; estratégia que consideramos vital para o alcance dos objetivos do projeto. São sugeridas ainda atividades como concursos de contos, de poesia, de cartazes e de campeonato e olimpíada de leitura, segundo o que informa a página eletrônica do jornal.    

Destacamos, contudo, que não basta planejar essas atividades, é fundamental realizá-las de fato e que, em nosso projeto,  reuniões para orientação do trabalho ocorre com freqüência, quinzenal ou semanalmente, dependendo da escola atendida. O jornal Tribuna do Norte, de Apucarana (PR), procura empenhar-se em abrir canais que subsidiem e reciclem os educadores, de forma a tornar sua missão em sala de aula não apenas produtiva, mas sobretudo, transformadora. A 3ª Oficina Pedagógica do projeto cultural ‘Vamos Ler Apucarana’! e Vamos Ler Arapongas!’, desenvolvida pela Tribuna em parceria com a iniciativa privada e órgãos públicos, reuniu mais de 230 professores e coordenadores escolares das duas cidades sob a coordenação da pedagoga Carmen Lozza. Há 14 anos ela atua como consultora do programa “”Quem Lê Jornal Sabe Mais”, desenvolvido há duas décadas pelo jornal carioca O Globo. “Para formar leitores, o professor tem de ser um leitor. Tem de saber a diferença entre opinião e informação e fazer uma leitura crítica daquilo que está recebendo”, afirma Lozza. Isso requer um ambiente em que alunos e professores sejam leitores e não meros ledores, objetivo maior do nosso projeto.

Uma pesquisa divulgada durante o evento Encontro Nacional de Coordenadores de Programas Jornal na Educação, da ANJ, aponta que estudantes de Jornalismo não lêem jornal e que professores de faculdades de jornalismo não utilizam exemplares em sala de aula. A discussão lançada pela professora Arilce Cardoso Tomaz, coordenadora do curso de Jornalismo da Universidade Monte Serrat, de Santos - SP, demonstra que a falta de leitura não atinge apenas os Ensinos Fundamental e Médio. “Infelizmente, o brasileiro culturalmente não lê. O incentivo da leitura de jornal em salas de Educação Infantil pode ser uma alternativa para mudar esse quadro”. (ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS JORNAIS, 2003).

Refletindo sobre a prática pedagógica em favor da formação de leitores, Patrícia Constâncio Werner (1999), da FURB, analisa a correlação existente entre as concepções de leitura do professor do ensino fundamental e sua prática pedagógica endereçada à leitura no que se refere à formação de leitor competente. Afirma que a escola apresenta, na sua história, marcas muito fortes e comprometedoras no que se refere à formação de leitores e que se reproduzem no fazer pedagógico de boa parte dos seus professores. Defende que quando professores e alunos interagem, vivenciando momentos de leitura, este procedimento contribui para a formação de leitores.       

Os procedimentos que desenvolvemos como parte de nossas atividades no projeto em pauta visam ao fomento da leitura na escola e na vida de nossos alunos. Ao discutirmos o lugar da leitura na escola, refletimos sobre o lugar da leitura em nossas vidas e na de nossos alunos, seus pais e sociedade. E, por estarmos cientes do papel central que a leitura ocupa no fortalecimento da cidadania, participamos do referido projeto extensionista e desenvolvemos projetos específicos com nossos alunos do primeiro ciclo do ensino fundamental, em um colégio particular de Apucarana/PR.

 

 

Relato de experiência

 

 

Antes de começarmos a traçar os passos pelos quais realizamos nosso trabalho com o jornal em sala de aula, é preciso reforçar nossa tarefa como professores no que diz respeito ao comprometimento em assumir um trabalho que exigiu esforço, dedicação e coragem de “alçar vôo” para além do que o material didático propunha. A não acomodação, ou seja, a insistência em querer mostrar ao aluno uma oportunidade de sentir prazer no ato da leitura e da escrita sem imposições ou como cumprimento de conteúdo foi o nosso ponto-chave para alcançarmos o êxito desejado.

Como os alunos já tinham adquirido o hábito de, quinzenalmente, levarem o jornal para a sala de aula, isso foi novamente proposto; aliás, é preciso fazer uma retificação, pois não éramos mais nós, enquanto professoras, quem propúnhamos aos alunos que levassem o jornal, e sim, éramos cobradas pelos mesmos quando, porventura, esquecíamos de avisá-los, no dia anterior, sobre essa atividade com indagações do tipo: “Tia, não vai esquecer: amanhã é dia de jornal!”. Diante dessa “cobrança” sentíamos que nosso objetivo, mesmo não tendo chegado ao final do ano, já havia sido cumprido.

Vale ressaltar que nossa ênfase foi dada ao jornal Tribuna do Norte, de Apucarana, no entanto, nesse dia, pedimos aos alunos que levassem jornais de títulos variados a fim de que se fizessem comparações de abordagens. A experiência que será relatada por nós teve como objetivo trabalhar a “previsão do tempo” dentro do jornal. Este tópico foi escolhido por se tratar de um assunto de extrema relevância para a realidade do próprio aluno, como também o fato de poder abarcar informações relacionadas às constantes mudanças climáticas que o mundo enfrenta atualmente. Um dos fatores que também contribuiu para que optássemos por esse texto foi o fato de que na época em que estava sendo aplicado o projeto, ou seja, no final do ano de 2006, fazia muito calor e as temperaturas estavam altíssimas. Portanto, os primeiros questionamentos que fizemos acerca desse tema foram:

 

• Em que página está?

• Em que lugar da página foi colocada?

• Qual o espaço que ela ocupa?

• Será que ela é sempre colocada na mesma página e no mesmo espaço?

• Como estão colocados os desenhos?

• O que eles significam?

 

Feitos os questionamentos, foi hora de ouvir as primeiras suposições dos alunos e pedir para que localizassem em seu próprio jornal o espaço destinado à previsão do tempo. A partir dessa localização, algumas das questões levantadas já foram sendo respondidas por eles mesmos, ao verificarem que cada jornal trazia a previsão em espaços diferentes, com uma abordagem específica e com apresentação gráfica também distinta.

Diante disso, a turma foi separada em grupos e cada qual deveria selecionar a previsão do tempo de um determinado jornal e analisá-la mediante os aspectos verbais e não-verbais. Como se trata de um texto acessível quanto à linguagem, não foi difícil pedir aos alunos que o interpretassem. Até o momento, todas as reflexões e constatações sobre esse tipo de texto foram feitas pelos alunos. A partir desses comentários, acrescentamos informações quanto ao uso das abreviações mín. e máx., temperatura convertida em graus, bem como explicações quanto ao significado de alguns termos específicos como “parcialmente nublado”. Desta forma, os alunos teceram comparações entre o que estava sendo dito na linguagem verbal e o que estava sendo exposto na linguagem não-verbal.

O próximo passo abrangeu reflexões lançadas por nós quanto às últimas transformações climáticas que o mundo enfrentara recentemente, relembrando os tsunamis, terrremotos, furacões, derretimento de gelo, seca entre outros fenômenos que foram ressaltados pelos alunos. Nesse momento, os jornais (dizemos no plural, pois queremos falar de jornal impressso e televisivo) acabaram servindo novamente como eixo central de nossas reflexões, já que muitos dos comentários feitos pelos alunos a respeito do que tinham visto ou ouvido falar era baseado em jornal. “Tia, eu vi o jornal quando passou o gelo derretendo!” “Meu pai leu no jornal que a cada ano que passa o clima vai ficando mais quente!”.

É importante ressaltar que todas as informações trabalhadas nessa aula ofereceram aos alunos momentos de produção oral com textos do mundo, selecionados por eles mesmos e que se tornaram ainda mais significativos por levarem em conta a experiência vivida e a troca de informações pertinentes a toda sociedade. 

Depois das reflexões orais, foi pedido aos alunos, ainda em grupos, que criassem mini-previsões sobre o tempo que havia ocorrido naquela semana. As previsões foram divididas em manhã, tarde e noite. Era uma quinta-feira, portanto, cada grupo ficou responsável por representar determinado dia, de acordo com a temperatura estimada. Com o dia de sexta-feira, houve uma previsão geral estimada de como poderia estar o tempo no dia seguinte, baseados nas temperaturas dos dias anteriores. Assim, pudemos estabelecer paralelos entre as variações de temperatura tanto do dia quanto da semana.

Antes de darmos seqüência ao relato do que fizemos após essa produção escrita, precisamos esclarecer que nosso objetivo principal, ao fazer parte do projeto maior coordenado pela Profª Drª Lídia Maria Gonçalves, era o de transformar todas as produções escritas e informações adquiridas durante o trabalho com o jornal impresso em um jornal televisivo que seria filmado e apresentado aos pais, professores e comunidade escolar no final do ano letivo. Mesmo porque já tínhamos feito esse trabalho anteriormente, mas não com tanto embasamento teórico. Todavia, a filmagem desse jornal televisivo não pôde ser efetivada devido a problemas de ordem técnica. Isso não impediu que outras pessoas “assistissem” ao que nossos alunos vinham fazendo, pois cada atividade escrita realizada em sala era divulgada ou por meio de cartazes, ou por visitação em sala, ou por fotos, enfim, de qualquer modo o trabalho com o jornal estava sendo quinzenalmente compartilhado com todos.

Com essa explicação que se fazia necessária, podemos dar seqüência ao que vínhamos relatando, visto que a atividade que se seguiu foi a de transferirmos tudo o que havia sido feito e entendido quanto à previsão do tempo no jornal impresso para a apresentação de uma previsão do tempo nos moldes televisivos. Para isso, os alunos foram treinados quanto à entonação, postura diante do público e conhecimento acerca do que estava sendo tratado para apresentarem aos alunos de outras séries. Assim, os alunos foram passando de sala em sala e apresentando a previsão do tempo estimada por eles para aquela semana.

Vemos então, que este trabalho com o jornal não se limitou às paredes da sala de aula, mas foi além, buscou informações do mundo e as transmitiu para o mundo. Sabemos que não existem fórmulas milagrosas que sanem de vez os problemas de motivação na leitura, mas podemos afirmar que se algum passo, mesmo que pequeno ou inseguro, não for dado ficará difícil encontrarmos possíveis soluções. Nosso passo foi discretamente dado sem pretensões improváveis, mas com a certeza de que a leitura foi trabalhada de forma prazerosa e significativa, além de levar o aluno a refletir sobre os problemas sociais que o cercam e, consequentemente, cercam o mundo.

 

 

 

Resultados parciais

 

 

Podemos finalizar  o presente artigo, afirmando que, até o presente, nossa proposta tem  demonstrado-se eficaz, visto que já apresenta alguns saldos positivos. Nossos  alunos criaram o gosto pela produção espontânea de textos que relatam acontecimentos diários ocorridos na sala de aula, tal pré-disposição não se limita, apenas, à escrita, os alunos além de produzir querem mostrar tudo aquilo que por eles foi criado.

Dessa forma, colocamos  a teoria em prática, vivenciando a linguagem enquanto interação humana, promovendo a leitura crítica no âmbito do ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa desde as séries iniciais. 

A compreensão das características próprias de cada gênero, trabalhado até o presente momento,  já se mostra positiva, visto que os próprios alunos já interferem na fala do outro, corrigindo-a.  

O trabalho com o jornal está desenvolvendo a capacidade enunciadora dos alunos, servindo como instância de comunicação. Além disso, os alunos, voluntariamente, trazem informações colhidas no jornal para o contexto de sala de aula, como se não bastasse, os mesmos criam debates acerca dos temas presentes nos textos por eles selecionados. 

O uso do jornal, portanto, contribuiu para que o estudante fosse capaz de inferir sobre as leituras feitas, de modo não mecanizado, desenvolvendo a habilidade de interpretar o que lê.

A escola torna-se, assim, um local de formação e exercício de um ser humano mais completo como cidadão.  

 

 

Referências

 

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ZILBERMAN, Regina. Estética da recepção e história da literatura. São Paulo: Ática, 1989.