APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL: O PROCESSO DE MENSURAÇÃO EM UM CASO LONDRINA

 

 

Paulo Roberto Belomo de Souza- Faculdade Norte Paranaense

ORIENTADORA:

Mariana Gomes Musetti – Faculdade Norte Paranaense

Curso de Administração

 

A aprendizagem Organizacional é um assunto que tem sido muito discutido por acadêmicos e consultores de empresas. Devido à complexidade do tema, é até natural que surjam diversas perspectivas (abordagens) de estudo. Easterby-Smith e Araújo (2001), em um estudo crítico, segmentam a aprendizagem organizacional em dois conjuntos de perspectivas, uma técnica (voltada para a mensuração de resultados) e outra social (voltada para as pessoas e o relacionamento entre elas). A perspectiva social é o cerne do trabalho de Peter Senge, que discute em seu livro (A Quinta Disciplina, 1990) cinco disciplinas que se devidamente desenvolvidas proporcionariam às empresas um ambiente propício à aprendizagem. As disciplinas expostas por Senge são: Pensamento Sistêmico, Domínio Pessoal, Modelos Mentais, Visão Compartilhada e Aprendizado em Equipe. O Pensamento Sistêmico refere-se basicamente à visão do todo e do relacionamento entre suas sub-partes componentes. O Domínio Pessoal diz respeito à capacidade dos indivíduos em criar e atingir objetivos pessoais. Os Modelos Mentais mostram basicamente o processo de aquisição do conhecimento e de mudança de mentalidade. A Visão Compartilhada trata da criação de objetivos coletivos, da forma de envolvimento das pessoas em relação a esses objetivos e os possíveis conflitos em relação aos objetivos pessoais. O Aprendizado em Equipe refere-se essencialmente à forma como as pessoas aprendem em conjunto, através do diálogo e da discussão. Partindo dessas disciplinas, o presente estudo tem como premissa central desenvolver e aplicar um instrumento para avaliá-las em um ambiente empresarial. Devido à já referida complexidade do tema, a melhor proposta é a realização de um Estudo de Caso, que ocorreu em uma pequena empresa familiar prestadora de serviços em Londrina. Através de instrumentos totalmente estruturados (escala de atitude) e contatos pessoais, foi feito o enquadramento (ao menos hipotético) da empresa em relação às cinco disciplinas apresentadas. Foram entrevistados 9 das 12 pessoas da empresa. Através da comparação das respostas contidas nos questionários com os recentes resultados da empresa (comparação com a perspectiva técnica) verificou-se que a empresa apresenta grande concordância em relação às disciplinas de aprendizagem. A disciplina que obteve maior nível de concordância foi a de Visão Compartilhada e a que obteve menor índice foi a de Modelos Mentais. Ou seja, os funcionários, mesmo apresentando pouco tempo de empresa menos de 3 anos, possuem um alto grau de envolvimento com os objetivos da organização, contudo, não entendem ou aceitam as diferenças individuais dos colegas de trabalho, o que pode entravar o processo de aprendizagem individual e organizacional. Apesar da elevada concordância com as disciplinas, as condições oferecidas pela empresa não são as mais favoráveis ao desenvolvimento da aprendizagem organizacional, o que futuramente pode vir a constituir um entrave à competitividade da empresa.