IV Encontro Integrado de Iniciação Científica e Extensão - de 10 a 14/10/2005 - Rolândia-PR
Faculdade Paranaense - FACCAR


UMA LEITURA DE “MALINCULIA” DE ANTONINO SALES

CLEVERSON PAVANELI (FACULDADE PARANAENSE)

JAQUELINE APARECIDA DE OLIVEIRA DE PAULA (FACULDADE PARANAENSE)

ROSA EVANGELINA DE S. BELLI RODRIGUES - Orientador (FACCAR)

CURSO DE LETRAS

Palavras-chave: antonino sales, malinculia, análise literária


Entre os estudos literários, nem sempre os textos escritos em norma não-padrão são selecionados para estudo ou para serem utilizados nas aulas de literatura, na escola. Assim, os alunos terminam por ter pouco contato com a denominada "literatura popular". Acreditamos, entretanto, que essa forma de literatura mereça ser mais conhecida e estudada, pois, apesar de escrita numa linguagem pouco valorizada socialmente, ela cumpre a função de externar os anseios e sentimentos do homem do povo. Além disso, é uma literatura que também corresponde a critérios estéticos e estruturais que são normalmente utilizados no estudo da literatura canônica. O objetivo maior deste trabalho é justamente procurar demonstrar o valor de um poema escrito em norma não-padrão. Para isso, utilizaremos o poema Malinculia, de Antonino Sales, poeta pernambucano, numa versão publicada no livro “A língua de Eulália. Uma Novela Sociolingüística”, escrito pelo lingüista Marcos Bagno e publicado pela editora Contexto, para demonstrar que a obra literária alcança sua plena função mesmo em produções populares. O autor de Malinculia já foi membro da Academia de Trovadores de Pernambuco, portanto, não tem, como o seu poema, uma origem popular, o que não o impede de falar sobre o mundo natural numa visão simples e poética, adotando o ponto de vista do sertanejo, do empregado, do homem do povo. Nosso trabalho buscará analisar a linguagem empregada no poema do ponto de vista literário, buscando ressaltar os recursos lingüísticos que dão poeticidade ao texto e tentando mostrar o quanto essa literatura popular, representada pelo poema de Sales, emociona, faz pensar e acima de tudo o que ela significa enquanto expressão de um homem que se intitula, pela fala, como regionalista, mas é acima de tudo a representação universal de todos os homens que já experimentaram a tal da Malinculia.